A falta de vagas em creches públicas na capital amazonense permanece um dos desafios na garantia de direitos integrais à criança. Números divulgados pela Prefeitura de Manaus apresentam 29 unidades que atendem a 135 mil crianças de zero a três anos. O déficit estimado é de 30 mil vagas e é possível que 120 mil crianças fiquem sem acesso à creche neste ano.
O problema vem de décadas e embora a realidade crítica tenha sido alterada ainda está longe de ser ideal. A falta de vagas em creches da rede pública afeta direta e principalmente as mulheres mães que, em sua maioria, são as únicas responsáveis pelas crianças.
Trabalhar e não ter onde deixar os filhos, não dispor de recursos financeiros para pagar por uma creche particular gera transtorno a essas mulheres que em muitos casos têm a saúde mental afetada. A luta por creches públicas em Manaus se arrasta desde o final dos anos de 1980 e teve no então Comitê das Mulheres Metalúrgicas uma das suas frentes. Em todo o Amazonas, a falta de creches se constitui em uma situação crítica. O dado é que 80% das crianças pobres no Estado não tinham em 2024 acesso a esse direito.
Constituir políticas públicas nos municípios que assegurem a existência e funcionalidade das creches é uma das prioridades para as administrações municipais e às organizações da sociedade civil. Enquanto a questão não for incorporada como importante as propostas tendem a ser paliativas, com encaminhamentos por vezes excludentes submetendo pais e ou responsáveis por esse segmento etário a situações por vezes constrangedoras.
O sorteio, adotado para tentar assegurar critérios de transparência na distribuição limitada das vagas, não deu certo. Nesse momento milhares de mães tentam se enquadrar nas normas utilizadas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), a fim de compatibilizar a oferta de vagas a determinado número de crianças.
Como o próprio órgão governamental reconhece, o déficit nesse setor obriga a adoção de indicadores que quase sempre são injustos porque selecionam os que poderão ter a creche e os que não terão acesso a ela. Nesse universo, a maioria das mães necessita de vaga para seus filhos e ter alguma margem de tranquilidade para cumprir com suas obrigações de trabalhadoras.
(Foto: Divulgação)
Fonte: acritica.com