Uma extensa área de floresta no Amazonas virou lastro de papel bilionário para duas empresas apontadas como peças centrais da fraude financeira do caso Master. As empresas teriam turbinado seus ativos em R$ 45,5 bilhões ao ancorar em terras de Apuí créditos privados de “estoques de carbono”. A área, porém, não poderia sustentar valorização contábil como se fosse propriedade particular, porque é destinada à reforma agrária e pertence à União.
Origem
Uma reportagem da Folha de S. Paulo aponta que a “Fazenda Floresta Amazônica”, em Apuí, aparece no balanço das empresas mas, segundo o Incra, integra Projeto de Assentamento Federal com matrícula e portaria de arrecadação dos anos 1980.
Ilegalidade
Na leitura do Incra, qualquer negociação de ativos de carbono baseados nessa floresta, que tem 143,9 milhões de hectares, seria irregular e geraria dano ao patrimônio público.
Cegueira
O ponto sensível, segundo a apuração, é que auditorias e laudos teriam precificado e reavaliado esses “ativos” sem checar a regularidade fundiária do território, apesar de problemas conhecidos há anos naquela região e de a área já ter sido citada em investigações e operações da Polícia Federal.
Cálculo
Conforme a Folha, as empresas sustentam que o inventário de carbono foi feito pela Unesp, que estimou 168,8 milhões de toneladas de CO² no território.
Ficção
A apuração afirma, porém, que o tipo de crédito usado na contabilidade não teria lastro no mercado porque não é comercializado. Em outras palavras, o “ativo” engordou o balanço das empresas sem passar pelo teste mais básico: alguém, de fato, pagaria por ele?
Sarcasmo
Soou como deboche e ganhou ampla repercussão entre bolsonaristas a frase dita pelo ministro Alexandre de Moraes durante evento na USP, na última quinta-feira (15), quando afirmou, rindo e sob aplausos, que “hoje fiz o que tinha que fazer”. Horas antes, ele tinha determinado a ida do ex-presidente Jair Bolsonaro para o presídio da Papuda.
Protesto
“É inaceitável que um ministro do STF trate a prisão de um ex-presidente com deboche”, reagiu o presidente municipal do PL e deputado federal, Alberto Neto. “Isso não é postura de juiz. É comportamento de algoz”, acrescentou.
Euforia
O Diretório Estadual do PT no Amazonas aproveitou o ensejo para reforçar o tom de zombaria sobre a ida de Jair Bolsonaro para o presídio, rememorando vídeo do próprio ex-presidente, em que ele diz: “A Papuda lhe espera. Boa estadia lá”.
Chacota
Em suas redes sociais, a “Juventudade PT Amazonas” seguiu a mesma linha. “O tic-tac acabou. A Papudinha agora tem um novo inquilino e o povo brasileiro tem um motivo a mais para sorrir”, diz a postagem.
Gelada
Ao encontrar com populares no município de Caapiranga, após agenda oficial, o governador Wilson Lima (União Brasil) recebeu o convite para tomar uma cerveja. Sem pestanejar, ele respondeu: “Sextou. Hoje pode”. O vídeo com a reação foi postado por ele mesmo em suas redes sociais.
(Foto: Reprodução/Globo Rural)
Fonte: André Alvesa