O processo longo na disputa do uso legal do carnabidiol abre a partir da decisão da agência reguladora um novo campo às pesquisas, aos tratamentos em diferentes casos e no entendimento da maioria da sociedade brasileira a respeito da importância de descriminalizar a canabis.
Aprovação de resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na quarta-feira (28), para ampliação do uso de canabis em terapias é conquista de um direito e vitória da luta de muitos.
O processo longo na disputa do uso legal do carnabidiol abre a partir da decisão da agência reguladora um novo campo às pesquisas, aos tratamentos em diferentes casos e no entendimento da maioria da sociedade brasileira a respeito da importância de descriminalizar a canabis.
Representantes de associações constituídas para defender mudança na legislação quanto ao uso do carnabidiol para fins de tratamento médico participaram da reunião da Anvisa, ocorrida no dia 28. Igualmente familiares de pessoas que são usuárias da substância por fins médicos e tiveram atenuados efeitos das doenças e outras que afirmam ter sido curadas se posicionaram em defesa da aprovação e da necessidade de maior segurança jurídica nessa questão.
Existem 315 associações provedoras de cannabis medicinal, das quais 47 conquistaram avanços judiciais para cultivo. Dados da Kaya Mind, organização que atua nesse setor, o Brasil possui 27 hectares de plantio, todos mantidos por essas organizações. As informações são da agência do governo EBC.
Como negócio, de acordo com a EBC, a cannabis medicinal se revela potente. Em 2025, o segmento registrou alta de 8,4% na comparação com 2024, alcançando R$ 971 milhões. A realização da terceira edição da ExpoCannabis, no ano passado, demonstrou o potencial que a área consegue mobilizar.
Na área médica, aproximadamente 2,7 profissionais prescrevem medicamentos canábicos para cada 10 mil pacientes, com média entre 5,9 mil e 15.100 profissionais da saúde receitando mensalmente.
Nos últimos 15 anos foram gastos com fornecimento público de produtos à base de cannabis R$ 377,7 milhões.
Outro quadro, apresentado pela EBC é de que oito em cada dez dos municípios brasileiros (corresponde a 85%) tiveram ao menos um paciente tratado com cannabis desde 2019.
Com a resolução aprovada, um passo relevante está concretizado. Os demais virão no processo de organizar as regras de uso e estabelecer os critérios de funcionamento tanto do cultivo da matéria-prima quanto das formas de uso, quantidade, em quais os casos, bem como o monitoramento das respostas apresentadas pelos pacientes usuários da cannabis medicinal.
(Foto: Agência Brasil)
Fonte: Agência Brasil