Última escola a entrar na avenida levou viagem simbólica pela BR-319, rodovia que liga o Amazonas ao restante do país, misturando crítica social, preservação ambiental e esperança de reconstrução.
O cronômetro bateu 1h10min14s quando a Unidos do Alvorada cruzou a linha amarela da passarela pela última vez em 2026, fechando as apresentações do Grupo Especial com o enredo “Uma estrada, uma vida, um sonho: o alvorecer da BR-319”. O desfile encantou a avenida nas primeiras horas da manhã deste domingo (15).

(Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)

(Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
A Alvorada levou o público em uma viagem pela única rodovia que liga o Amazonas ao restante do país, e o ponto de partida foi de Manaus ao município de Humaitá, no Sul do estado, destaque da comissão de frente. A maria-fumaça da ferrovia Madeira-Mamoré apitou para avisar os 3.100 componentes do desfile sobre o embarque.
E foi no abre-alas que os encantos da capital, a força da terra baré, foram representados com o Monumento de Abertura dos Portos e com o Teatro Amazonas, recheados pelos trajes chamativos da época de ouro do ciclo da borracha.
A proposta do Grêmio Recreativo era trazer a beleza, mas também as mazelas. No segundo setor, ao ritmo da bateria Sensação, o terror da estrada ganhou formas, cores e movimento. O segundo carro alegórico encarnou o chamado “trecho do meio”, com uma grande caveira precedida pela terra e pela lama representadas na ala sincronizada. O símbolo do abandono reluziu com olhos em vermelho, um alerta para o perigo dos atoleiros que isolam quem precisa trafegar por lá e retiram o direito de ir e vir.

(Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)

(Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
Também houve espaço para o clamor pela preservação da fauna, da flora e dos recursos naturais. Uma chamada atual de atenção contra os impactos da exploração de mineiros no sul do estado. O tom do desfile foi da ganância descontrolada até a resistência dos animais. Nessa história, até a onça, nativa e dona da terra, cruza com o forasteiro no ponto alto da apresentação do pavilhão com o segundo casal de mestre-sala (Enzo Santos) e porta-bandeira (Mirella Azevedo).


(Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
O fim dessa viagem é um apelo pela reconstrução e pela liberdade. O terceiro carro alegórico representa o alvorecer da BR-319 por meio de uma fênix azul que traz a bandeira do Amazonas no bico. É a mobilização não só da comunidade do bairro da Zona Oeste, mas um clamor de vários setores da sociedade amazonense e nortista. Com o sonho na ponta do pé, cada passo adiante até a dispersão simbolizou o desejo de avanço na repavimentação. As mãos dadas no pavilhão fecham o Carnaval de 2026 com uma “ponte” entre as diferentes comunidades que se encontram nessa súplica.
(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
Fonte: Lucas Motta/acritica.com