Mais de uma semana após o fim do carnaval, vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) pedem moção de repúdio contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói pelo desfile da “família em conserva”. A proposta é de autoria da vereadora Yomara Lins (Podemos).
A escola de samba Acadêmicos de Niterói apresentou, no dia 15 de fevereiro, o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Em uma parte do seu desfile, apresentou uma “família em conserva” como uma crítica ao conservadorismo, que apresenta “na lata” uma família feliz e com a bíblia, mas, na parte interna da lata, a violência, a militarização, o armamento e a ditadura.
Subscreveram a moção os vereadores Sérgio Baré (PRD); Rodrigo Sá (PP); Mitoso (MDB); Joelson Silva (Avante); Eduardo Alfaia (Avante) e Pai Amado (Avante); Coronel Rosses (PL), Sargento Salazar (PL) e Capitão Carpê (PL); Roberto Sabino (Republicanos); e Jander Lobato (PSD) e Professor Samuel (PSD).
A autora da moção, Yomara Lins, afirmou que, como presidente da Frente Parlamentar Cristã, se sentiu no dever de repudiar publicamente um “ataque à fé cristã”.
“Eu venho manifestar meu repúdio ao que foi apresentado durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, onde a família foi apresentada de uma forma desrespeitosa. Simbolicamente, colocaram uma família dentro de uma lata, com uma bíblia na mão. Essa representação fere a dignidade humana e ataca um dos pilares mais sagrados da sociedade”, disse.
O vereador Eduardo Alfaia também repudiou o desfile e disse que a escola de samba quis naturalizar uma cultura de “mensalão, petrolão e desvio dos recursos públicos de idosos”, direcionando o comentário ao atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
“Há uma clara militância política, desvio de recursos públicos, porque, se há recursos públicos com a escola e usaram a escola para uma autopromoção político-partidária, é vergonhoso o que a gente assistiu”, afirmou.
Alfaia criticou, ainda, a colocação da família “em conserva”. “O que assistimos foi um ataque aos nossos valores, um ataque à nossa fé e à família tradicional brasileira.”
O vereador Roberto Sabino (Republicanos) disse que, caso o desfile fosse sobre Bolsonaro, seria considerado crime eleitoral. “Se fosse do outro lado, se fosse o outro presidente, seria crime eleitoral, mas, como não é, fica aí somente o nosso repúdio. Como foi dito que estamos em lata de conserva, eu estou no óleo, que representa o Espírito Santo.”
O vereador Coronel Rosses afirmou, em sua fala, que a escola de samba sofreu castigo divino pelo desfile apresentado. “Eu também acredito no castigo divino. Essa escola de samba teve a pior nota e foi rebaixada. Também coágulo com as palavras do vereador Dione, quando vemos o desvio de finalidade. Se tudo que fosse gasto com carnaval no Rio de Janeiro fosse gasto com saúde, educação, talvez tivéssemos um cenário diferente.”
Já o vereador Zé Ricardo afirmou que a moção apresentada não tinha finalidade de defender a fé cristã, mas atacar o presidente Lula, e que os parlamentares não compreenderam as críticas apresentadas.
“O foco não é a questão da família, o foco é político. Uma escola de samba homenagear o presidente Lula não entra na cabeça de muita gente. Não aceitam que é o melhor presidente que esse país já teve. Lula esteve lá, acompanhando todos os desfiles de todas as escolas”, destacou.
(Foto: Reprodução)
Fonte: Emile de Souza/acritica.com