Entre o medo e a expectativa exagerada, existe um caminho prático para aproveitar o potencial da Inteligência Artificial
No mês de abril, dei uma entrevista a um podcast aqui de Manaus (Pod Pensar, TV Norte), um papo muito bom sobre Inteligência Artificial. Falamos sobre o uso prático da IA na educação, política, redes sociais, marketing e outros assuntos, tudo voltado à IA.
Até que uma pergunta me fez pensar: "Até onde podemos usar a IA na nossa vida prática?". Essa pergunta me fez refletir: será que é apenas mais uma ferramenta? Já chegou ao seu limite? Será a próxima revolução das máquinas? Skynet? Respirei, respondi e gostaria de refletir com você, querido(a) leitor(a), até onde podemos usar a IA.
Nos meus cursos e palestras, sempre menciono que a IA não é o início nem o fim de qualquer processo prático, mas sim o meio, ou seja, uma ótima ferramenta que nos ajuda a operacionalizar atividades de forma mais rápida. Por exemplo: você não tem aquela pasta no computador cheia de arquivos dos quais nem se lembra mais da origem? Existe uma ferramenta chamada Cowork, que faz parte do cenário de ferramentas do Claude (IA de grande escala), capaz de organizar rapidamente essa pasta em categorias e subcategorias, além de renomear os arquivos conforme o seu comando. Esse é apenas um exemplo básico de todo o potencial dessa ferramenta.
O universo de ferramentas de IA é muito maior do que apenas chatbots de texto. Hoje, conseguimos gerar imagens com o Gemini, da Google (inclusive, já vi órgãos públicos utilizando criações dessa ferramenta em grandes eventos), criar músicas e trilhas sonoras com o Suno, produzir vídeos com o Higgsfield, sintetizar vozes com o ElevenLabs, fazer pesquisas profundas e referenciadas com o Perplexity, e até transformar documentos longos em podcasts ou resumos com o NotebookLM, também da Google. Cada uma dessas ferramentas resolve um problema específico do dia a dia, mas, apesar disso, a IA continua sendo apenas uma ferramenta: uma ótima ferramenta, se for bem aplicada, ou uma ferramenta defeituosa, se não soubermos usá-la.
O problema que tenho visto com muitos clientes de consultoria é a criação de uma expectativa alta sobre a IA, colocando-a no início das coisas, querendo que ela seja o coração de uma empresa ou até mesmo a pensadora estratégica dos próximos passos profissionais. Isso ela não será. A IA, até onde sabemos, continua sendo apenas uma ferramenta inserida no meio de um mercado ativo e pulsante.
Outro problema que percebo é o medo que algumas pessoas têm de usar a IA. Falando desse mercado ativo de empresas como Anthropic (Claude), Google (Gemini), OpenAI (ChatGPT), Microsoft (Copilot) e outras, essas companhias estão sempre buscando assegurar que o usuário esteja protegido, não por bondade, mas porque desejam fornecer o melhor serviço possível (e esse usuário precisa desembolsar, no mínimo, R$ 100,00 mensais para utilizar qualquer uma delas de forma realmente produtiva). O medo pode acabar impedindo que você utilize todo o potencial da IA. Aqui vai uma provocação: não vejo ninguém com receio de usar o WhatsApp, encaminhar documentos e até dados importantes por ele, aproveitando todo o potencial da ferramenta. Cuidados serão sempre necessários em qualquer ferramenta tecnológica que você utilizar.
O ponto macro é que o uso da IA ainda está apenas no começo. O lançamento do que conhecemos hoje aconteceu em dezembro de 2022, com o beta da OpenAI, que mudou a nossa forma de enxergar a IA, como uma conversa natural, com custo baixo e até gratuito. Olha o quanto mudou de lá para cá: o próprio ChatGPT perdeu espaço no mercado para outras IAs que evoluíram mais rápido. Portanto, não temos como saber o que o futuro reserva, nem até onde essa ferramenta vai escalar. O melhor de tudo é que podemos viver esse momento, acompanhar o crescimento dessa ferramenta e aproveitar todo o seu potencial.
(Foto: Divulgação)
Fonte: Yuri Veríssimo/acritica.com