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Mega alegoria do Curupira conduzirá Marciele na arena do Caprichoso, revela Roberto Reis
Publicado em 26/06/2026 06:00
Arte & Cultura

Artista afirma que a cunhã-poranga surgirá em uma das apresentações mais aguardadas do Festival de Parintins, marcada por efeitos especiais e pela maior alegoria de sua carreira

 

Parintins/AM - Guardião e defensor das florestas e dos animais, o Curupira é uma dos seres enigmáticos mais emblemáticos do imaginário popular-indígena e do folclore brasileiro. De pés invertidos e olhar fulgurante, conta a memória dos povos que ele é o espírito que confunde caçadores, pune os que ferem a floresta e protege os que dela cuidam e vivem. Kuru'pir, do tupi-guarani, é resistência e memória dos povos da floresta.

 

No 59° Festival Folclórico de Parintins, esta entidade mítica ganha vida novamente e invade a Arena Bumbódromo, na segunda noite de apresentação (27), como uma das principais lendas amazônicas (item 17) apresentadas pelo boi-bumbá Caprichoso.

 

Vista aérea da alegoria da lenda amazônica Curupira - O Guardião da Vida, assinada pelo artista Roberto Reis. Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA

 

Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, o artista de ponta do boi-bumbá Caprichoso, Roberto Reis, responsável pela execução do projeto alegórico da lenda amazônica Curupira, contou detalhes sobre a alegoria que promete ser a maior da história do Festival Folclórico de Parintins.

 

“Ela vai ser a maior alegoria da história do Festival. Montada, ela vai ter 37 metros de altura. De boca de cena tem 35 metros e de profundidade tem 23 metros. O Curupira será içado de uma lança por cima de todas as outras peças, descerá na arena e revelará o item. Com quase 40 metros de altura, creio que seja a maior alegoria que eu já fiz”, detalhou o artista de ponta.

 

Quanto aos efeitos cenográficos e visuais da alegoria, Reis ressaltou o uso de elementos tecnológicos e cênicos que irão proporcionar uma imersão sensorial e visual aos espectadores, corpo de jurados e torcedores do bumbá azul e branco.

 

“Um dos nossos principais módulos alegóricos trata-se de um gavião que irá usar projeções em suas asas e em seu corpo. De envergadura ele tem 32 metros. Serão feitas projeções de revoadas dos pássaros, água, fogo e outros elementos. Para além disso, em nosso Curupira, haverá labaredas de fogo. Utilizaremos ventoinhas para projetar chamas de cerca de 15 metros de altura”, explicou Reis.

 

Artista de alegorias do boi-bumbá Caprichoso, Roberto Reis assina o projeto da lenda amazônica "Curupira - O Guardião da Vida" que promete apresentar uma das maiores estruturas já vistas na arena do Bumbódromo. Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA

 

Sendo uma toada de assinada pelos compositores Ronaldo Barbosa e Ronaldo Barbosa Jr., o ano de 2019 foi a última vez que a lenda amazônica do curupira ganhou destaque e foi apresentada na Arena Bumbódromo, quando o boi-bumbá Garantido trouxe “Sete Espíritos”, alegoria também de autoria e idealização do artista Roberto Reis.

 

“Aquele ano foi a última vez que trabalhamos esta lenda e minhas expectativas são as melhores. É uma toada top, que é do Ronaldo Barbosa e eu gosto muito dele. O diferencial em cada ano é justamente a diferença. Todo ano há elementos parecidos, como cobras, onças, etc., mas sempre o artista inova e procura fazer algo diferente. Este ano irei apostar muito nos efeitos de transformação”, ressaltou o artista do boi Caprichoso.

 

O Curupira tratá Marciele Albuquerque

A lenda amazônica "Curupira - O Guardião da Vida," de Roberto Reis, é, sem sombras de dúvidas, um dos momentos mais aguardados do espetáculo “Brinquedo que canta seu chão”, do boi Caprichoso. Da evolução alegórica na Arena Bumbódromo, o Curupira conduzirá a cunhã-poranga, Marciele Albuquerque, para sua evolução.

 

Marciele Albuquerque durante o último ensaio técnico de arena do Boi Caprichoso, no Bumbódromo. Fotos: Jeiza Russo e Daniel Brandão/A CRÍTICA

 

“Além de trazer a cunhã-poranga, a indumentária que Marciele usará nesta noite é de minha autoria também. Será a única que farei neste ano. Optei por isso, pois queria me dedicar também à alegoria. No entanto, é uma vestimenta muito legal, que se transforma e eu nunca fiz transformação em indumentária. Já está na fase final e acho que irá ficar algo bem bacana”, anunciou Roberto Reis.

 

Concepção artística da lenda amazônica “Trilha do Curupira”, desenvolvida por Roberto Reis para o espetáculo do boi-bumbá Caprichoso no 59º Festival Folclórico de Parintins. Arte: Divulgação/Caprichoso

 

A maior alegoria do Festival

“A dimensão desta alegoria é um dos diferenciais e eu creio que seja a maior alegoria do Festival, sem uso de guindaste”, salientou Roberto Reis sobre o gigantismo da estrutura da alegoria da lenda indígena “Trilha do Curupira”. Com quase 40 metros de altura e 35 metros largura, a alegoria promete ser um dos principais marcos do espetáculo “Brinquedo que canta seu chão”, do boi-bumbá Caprichoso.

 

Com quase 40 metros de altura, a alegoria aposta em gigantismo, projeções e efeitos especiais para surpreender o público no Bumbódromo. Foto: Jorge Albuquerque/A CRÍTICA

 

“O diferencial vai ser isso: apostar no gigantismo. E ela será. Eu conto com o apoio da galera para dar tudo certo. As pessoas me mandam energia positiva e eu conto com o apoio do papai do céu. Deus sempre tem que estar juntos também e tudo o que eu faço, eu coloco no nome de Deus. Ele sempre está comigo. Ele sempre está olhando e eu conto muito com Ele”, comentou Reis.

 

Para produção da lenda indígena do Curupira, o artista de alegorias conta com uma equipe multiprofissional composta por 23 pessoas, entre aderecistas, pintores, soldadores, pasteladores, escultores, robótica e outros, e será apresentada na segunda noite do 59° Festival Folclórico de Parintins.

 

“Foi uma opção minha não abrir o Festival. Nós precisávamos equilibrar as noites. Geralmente o Caprichoso ganhava a primeira e nas outras noites ficava mais abaixo. A visão que eu tive junto com o Conselho de Arte foi estratégica. De dar uma equilibrada nas noites e ficou bacana”, terminou Roberto Reis, artista de alegoria do boi-bumbá Caprichoso.

 

Megaalegoria da lenda amazônica Curupira - O Guardião da Vida conduzirá a cunhã-poranga Marciele Albuquerque em um dos momentos mais aguardados do espetáculo azulado 

 

(Fotos: Jorge Albuquerque e Jeiza Russo/A CRÍTICA)

Fonte: Daniel Brandão/acritica.com

 

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