Aumento do efetivo pelo Corpo de Bombeiros e ajuda federal com aviões reforço de agentes do Ibama não insuficientes contra o fogo
Manaus amanheceu neste sábado (17) sufocada com a fumaça de queimadas ilegais na região metropolitana. O aumento do efetivo no Corpo de Bombeiros do Amazonas, a ajuda federal com aviões e o reforço de agentes do Ibama neste mês não foram suficientes para controlar os focos de calor, que já chegam a 1.830 desde o dia 1º de outubro.
Segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas, a capital amazonense respira ar com qualidade de nível péssimo. No início da manhã, as estações da cidade registraram entre 366.8 µg/m3 e 465.6 µg/m3, quando o limite diário máximo é de 32 µg/m³, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Este é provavelmente, o pior dia do ano, em termos de fumaça tóxica! Quem puder fique em casa, com portas e janelas fechadas, espcialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades respiratórias e cardiovasculares”, alerta o epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jesem Orellana.
A fumaça de queimadas pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar, chiado no peito e agravamento de doenças respiratórias, como asma e bronquite, além de problemas cardiovasculares.
A exposição às partículas finas presentes na fumaça pode causar inflamação nos pulmões e, quando prolongada, aumentar o risco de complicações graves. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas são mais vulneráveis aos efeitos da poluição, mas mesmo indivíduos saudáveis podem apresentar sintomas após a exposição intensa.
Quase 2 mil focos
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 1.830 focos de calor entre 1º de outubro e este sábado. A maior parte está em Lábrea (257 focos), em Autazes (194 focos), Boca do Acre (189 focos), Itacoatiara (120 focos) e Novo Aripuanã (101 focos).
A maior parte dos incêndios é atribuída à limpeza de terrenos para atividades agroepcuárias.O fogo avança, inclusive, sobre unidades de conservação e terras indígenas, segundo o Inpe.

Qualidade do ar em Manaus chega a níveis perigosos Foto: Reprodução / App Selva
Ações insuficientes
Desde o início da temporada do fogo, o governo estadual tem combatido os focos de calor por meio de operações lideradas pelo Corpo de Bombeiros, mas as ações têm sido insuficientes para controlar as chamas. Manaus, municípios da região metropolitana e do sul do estado continuam imersos em fumaça há mais de dois meses, com a qualidade do ar variando entre ruim e péssima.
Mesmo a ajuda federal com o envio de aviões, helicópteros e agentes do Ibama não têm sido suficientes para diminuir o problema. Na semana passada, o superintendente do Ibama no estado, Joel Araújo, estimou que o ar em Manaus melhoraria nos próximos quatro dias seguintes, o contrário do que a piora deste sábado demonstra.
Nesta sexta-feira (16), a Agência Brasil informou que masis de 300 focos de incêndio foram extintos no Amazonas nos últimos cinco dias. Após o pico de 494 focos ativos em 10 de outubro, o número caiu para 188.
Manaus amanhece com pior qualidade do ar no ano
Foto: Junio Matos
Por Waldick Júnior/acritica.com