De acordo com a PNAD/IBGE, 56,7% dos habitantes do Amazonas estão em situação de pobreza
O Brasil reduziu, no atual governo, o contingente de pessoas em situação de fome. O dado oficial é de retirar o país do mapa d subnutrição o que significa alcançar o índice de 2.4%, abaixo do porcentual das Organizações Unidas para Agricultura (FAO), de 2.5%. No Amazonas, o desafio é maior, o Estado tem a segunda pior performance nacional em relação a pobreza.
De acordo com a PNAD/IBGE, 56,7% dos habitantes do Amazonas estão em situação de pobreza, atrás do Estado do Maranhão, com 58.9%. Em 2024, o IBGE mostrou que no rio Purus, no Amazonas, estava a condição mais aguda de pobreza, indicando que mais de 66% dos moradores da região viviam abaixo da linha de pobreza. Em Manaus e no seu entorno, o quadro é igualmente agudo, com 62.3% da população situada abaixo da pobreza.
Os dados mostram a necessidade de os governos organizarem iniciativas concretas que possam retirar as áreas mais precarizadas do Amazonas dessa condição e oferecer mecanismos de promoção social e econômica. Até agora, as iniciativas governamentais implementadas não conseguiram estabelecer uma base de real mudança e, no geral, parecem ser atos paliativos.
O longo período de seca e os efeitos dele na vida cotidiana dos amazonenses que vivem em função da pesca e da pequena agricultura são refletidos até hoje na vida familiar. Há condições de promover a vida no interior do Amazonas e na Região Metropolitana de Manaus, desde que os governos estejam determinados a liderar iniciativas que tenham começo, meio e continuidade. Não é possível, em cenário tão crítico, oferecer programas que acabam na semana ou no mês seguinte.
Essa postura equivaleria a perceber milhares de famílias como esmoles que episodicamente recebem esmolas. O caso exige resgatar a dignidade dessas pessoas, amparando-as adequadamente para que possam gerir suas vidas em condições normais. Igualmente, é triste que o Amazonas se acomode diante de dados que o coloca em condição de tamanha vulnerabilidade e de constrangimento, bem como a cidade de Manaus. Enfrentar a realidade de fome, subemprego e de angustia deveria ser uma atitude mobilizadora que na própria estrutura dela já carregaria elementos da coragem e do orgulho em estabelecer metas, alcança-las e emplacar novos indicadores. Os da fome e da miséria que nos persegue são a fotografia da omissão.
(Foto: Agência Brasil)
Fonte: acritica.com