MENU
Desenvolvemos o seu aplicativo para smartphones
Janeiro Branco: psicólogo alerta para vício de dopamina instantânea e perda de controle emocional
Psicólogo aponta que estímulos digitais, apostas e compras rápidas criam padrão silencioso de dependência emocional no Brasil; entenda
Publicado em 06/01/2026 09:22
Saúde & Ciências

Com a chegada do Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, especialistas chamam atenção para a dependência de estímulos rápidos. Apostas online, pornografia, rolagem infinita no celular, compras por impulso, jogos digitais e até o consumo compulsivo de notícias formam um padrão comum, sustentado pela busca incessante por dopamina instantânea.

 

Segundo o psicólogo clínico Leonardo Teixeira, especialista em comportamentos compulsivos, estamos diante de um novo tipo de vício, menos visível que o álcool ou as drogas, mas igualmente perigoso.

 

"As pessoas não estão viciadas em apostas ou em pornografia. Elas estão viciadas no alívio rápido que esses estímulos oferecem. O vício hoje é na dopamina instantânea. É uma fuga emocional travestida de entretenimento", explica Teixeira.

 

Quando o alívio vira prisão silenciosa

Em um cenário de estresse financeiro, cansaço emocional, excesso de responsabilidades e permanente comparação social, o cérebro fica mais vulnerável à promessa de recompensa imediata. Essa combinação, segundo Teixeira, transforma comportamentos comuns em mecanismos de sobrevivência emocional, que rapidamente escapam do controle.

 

"O problema não é a tela, a compra ou o jogo. O problema é o momento em que a pessoa percebe que não consegue mais parar. Ela se sente cansada, frustrada, culpada, e busca exatamente o mesmo estímulo para anestesiar essa dor. É um ciclo que se retroalimenta", afirma.

 

Para o psicólogo, a lógica é sempre a mesma: alívio rápido + arrependimento + necessidade crescente de estímulo.

 

"A dopamina não é sobre prazer. É sobre expectativa. O cérebro não fica viciado no que a pessoa ganha, mas no que ela imagina que poderá ganhar. Esse é o motor de quase todos os comportamentos compulsivos de hoje", completa.

 

Por que janeiro é um mês tão vulnerável?

O início do ano combina uma série de fatores emocionais que deixam as pessoas mais frágeis:

 

balanço de erros e promessas não cumpridas;

pressão para “recomeçar”;

estresse financeiro pós-festas;

solidão e comparação social;

cansaço acumulado;

sensação de vazio após semanas de hiperestimulação.

 

Teixeira explica que essa é a fórmula perfeita para recaídas. "Janeiro é o mês da ressaca emocional. Menos estímulos, mais silêncio, mais cobrança interna. Quando a mente desacelera, aparece tudo o que a pessoa tentou evitar no fim do ano. E é aí que a compulsão bate mais forte", analisa.

 

Dopamina fácil e tolerância alta

A facilidade de acesso - tudo ao alcance de um clique - impulsiona o aumento de dependências comportamentais.

 

Segundo o especialista, o alerta principal não é sobre o crescimento de apostas ou pornografia, mas sobre a queda da tolerância ao desconforto.

 

"As pessoas perderam a habilidade de lidar com tédio, frustração, silêncio e espera. Basta um incômodo e já buscamos anestesia. Esse padrão deixa o cérebro mais impaciente, mais impulsivo e mais vulnerável a vícios", alerta Teixeira.

 

Como identificar quando a dopamina virou dependência

 

Teixeira destaca sinais que merecem atenção:

aumento progressivo do tempo ou do dinheiro gasto em estímulos digitais;

irritação ou ansiedade quando não consegue acessar o comportamento;

sensação de perda de controle;

promessas frequentes de “parar” ou “diminuir”;

queda de produtividade, sono prejudicado e isolamento;

uso repetido do comportamento para fugir de emoções difíceis.

 

"Quando o estímulo passa a decidir pela pessoa, e não o contrário, já estamos falando de dependência", reforça.

 

Como buscar ajuda

Para o psicólogo, o tratamento precisa ser visto sem tabu:

 

psicoterapia especializada em vícios comportamentais;

CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) para atendimentos gratuitos;

grupos de apoio presenciais e online;

limites de uso em aplicativos;

estratégias de prevenção de recaída e rotinas mais equilibradas.

 

"Vergonha só atrasa o tratamento. O que as pessoas chamam de fraqueza, a ciência chama de transtorno. E o transtorno tem tratamento", conclui.  

 

(Foto: Divulgação)

Fonte: acritica.com

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!