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Marcada por 'pernadas', pré-campanha no Amazonas deve consolidar quatro candidaturas
Na última quarta-feira, Tadeu de Souza se filiou ao PP, cuja federação anunciou sua candidatura
Publicado em 16/02/2026 10:43
Politica

Na última semana, o PDT anunciou a pré-candidatura do prefeito David Almeida, e a federação União/PP confirmou a do vice-governador Tadeu de Souza; os dois se juntam ao senador Omar Aziz e à empresária Maria do Carmo na disputa.

 

A migração do vice-governador Tadeu de Souza do Avante, do prefeito David Almeida, para o PP, que é federado com o União, do governador Wilson Lima, e o anúncio de sua pré-candidatura ao governo provocou uma guinada no período de pré-campanha. Com isso, ele se junta a outros nomes que podem vir a disputar o Executivo estadual em outubro deste ano: o senador Omar Aziz (PSD), David Almeida e a empresária Maria do Carmo (PL).

 

Especialistas ouvidos por A CRÍTICA avaliaram que as últimas notícias demonstram que serão eleições intensas e, possivelmente, com o menor número de candidatos em comparação às eleições de 2022. O cientista social Carlos Santiago lembra que no último pleito estadual houve oito candidatos ao cargo de governador, enquanto em 2018 foram sete postulantes.

 

Na sexta-feira, dia 6, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou a candidatura de David Almeida

 

“Outro aspecto importante é que se repete, como nas eleições anteriores, o embate entre candidatos ligados à política tradicional na figura de Omar Aziz, de Eduardo Braga, com uma nova geração de políticos pós-2018, como Wilson Lima, Tadeu de Souza, David Almeida e Maria do Carmo”, afirmou Santiago.

 

Para Afrânio Soares, cientista político e dono da Action Pesquisas, a possiblidade de Tadeu de Souza ser candidato ao governo do Amazonas era uma das mais remotas e a entrada dele no jogo eleitoral provoca uma guinada forte na disputa. Ele aponta que, ao subir ao cargo de governador, Tadeu de Souza deve conseguir montar um grupo político muito rapidamente e por necessidade.

 

“É uma postura diferente de Wilson Lima quando foi governador na primeira vez. Ele não precisava de grupo, ele foi eleito pela onda. Mas no caso do Tadeu, ele precisa de um grupo e já está montando, contando com os deputados estaduais e a coligação de alguns partidos fortes”, analisou Afrânio Soares.

 

Desistências

Afrânio Soares ressaltou ainda que existe a possibilidade de algumas das pré-candidaturas atuais não se confirmarem no momento do registro, levantando dúvidas se o Partido Liberal vai manter o nome de Maria do Carmo na disputa. Segundo ele, existe a possibilidade de o PL vir a compor com o União Brasil e o PP, embora Maria do Carmo tenha afirmado “que é zero a possibilidade de ela ser vice do Tadeu de Souza”, o que levaria o partido a indicar outra pessoa.

 

“Mas tudo isso ainda são hipóteses, até mesmo a questão de o prefeito David Almeida vir a disputar a eleição nessa condição, ou seja, só com uma máquina, que seria a da prefeitura. Sem a máquina do Estado, fica menor a possibilidade da capilaridade no interior. Mas mostra que a eleição está animada ainda. Se, no dia 4 de abril, o prefeito confirmar a sua saída, aí nós teríamos a certeza de que o David Almeida vem”, completou.

 

Articulações

Até o início deste mês, o governador Wilson Lima mantinha uma postura de mistério em relação à possibilidade de renunciar e concorrer ao Senado. No entanto, desde o final de janeiro, se aproximou de Tadeu e na quarta-feira em Brasília participou da filiação do vice-governador no PP. Nas rede sociais, a federação União/PP anunciou que o ingresso dele na legenda visa à disputa da reeleição ao governo e à candidatura de Wilson ao Senado.

 

David Almeida, por sua vez, foi lançado pré-candidato pelo presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, durante a cerimônia de filiação do secretário municipal Sabá Reis ao partido, assumindo também a presidência estadual, há uma semana. Na segunda, após evento na Câmara Municipal de Manaus, disse que não estava mais alinhado ao senador Omar Aziz. Contudo, a entrada de Tadeu, que ascendeu ao cargo de vice-governador pelas mãos do prefeito,  na disputa desmonta a estratégia de David de ter apoio das duas máquinas. 

 

Maria do Carmo confirmou sua pré-candidatura ainda em 2025. Após rumores de que o PL poderia compor com a chapa de Tadeu de Souza, tanto ela quanto o partido reafirmaram sua posição como cabeça de chapa e chamou as especulações de “conversa fiada”.

 

Omar Aziz, apontado como favorito na disputa, já vem mantendo, desde o ano passado, intensa agenda de pré-campanha com reuniões com prefeitos e ex-prefeitos do interior do Amazonas, e de entregas de obras e projetos na companhia do senador Eduardo Braga (MDB).

 

O senador Omar Aziz, desde o ano passado, tem mantido intensa agenda de pré-campanha

 

Esquerda encolhida

O cientista político Carlos Santiago destacou um fato curioso para a eleição no Amazonas em 2026: a falta de candidatos de esquerda na corrida pelo governo estadual. Até o momento, o único grande candidato do campo político é o ex-deputado Marcelo Ramos, pré-candidato ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

 

“Hoje, o PCdoB e o PT estão sob o comando de nomes como Eduardo Braga e Omar Aziz. O PSB faz parte do grupo político do governador Wilson Lima e o PDT está com David Almeida. A cada ano, a cada eleição, os partidos à esquerda estão diminuindo o número das suas lideranças e de suas forças na composição das chapadas majoritárias”, avaliou o cientista político.

 

Só o Negão ficou no cargo

Desde que a reeleição foi instituída em 1998, o único governador que escolheu não disputar o Senado ao final do segundo mandato foi Amazonino Mendes. Em 2002, ele ficou no posto em um movimento para bloquear a articulação de seu então vice-governador, Samuel Hanan, que planejava disputar o governo à sua revelia e, no final, acabou sem legendas partidárias.

 

O ‘Negão’ apoiou Eduardo Braga, que venceu naquele ano e foi reeleito em 2006. Seu vice-governador, Omar Aziz, assumiu o governo em 2010, foi reeleito e Braga conquistou uma vaga no Senado.

 

Em 2014, o movimento se repetiu quando Aziz  ascendeu ao Senado e deixou seu vice, José Melo, como candidato ao governo em meio a um rompimento com Braga, que tentou o governo do Estado, mas perdeu para o antigo aliado.

 

Com a cassação de Melo e de seu vice Henrique Oliveira, em 2017, em processo movido pela coligação de Braga, esse ciclo se rompeu. David Almeida, então presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) assumiu interinamente o governo por cinco meses. Fato usado por ele catapultar sua candidatura ao governo em 2018, quando obteve a terceira maior votação, e à prefeitura, em 2020.

 

Na disputa pelo mandato tampão em 2017, David, que era do PSD, teve a candidatura vetada pelo senador Omar Aziz, que comanda até hoje a legenda no Estado. E que chancelou a chapa de Amazonino e Bosco Saraiva.

 

Braga, cuja ação judicial havia derrubado Melo, perdeu para o antigo mentor no segundo turno. No ano seguinte, Amazonino disputou a reeleição, mas acabou derrotado por Wilson Lima. Que, reeleito, agora pode renunciar para concorrer ao Senado, deixando o vice, Tadeu de Souza, à frente do governo, com a possibilidade de defender o mandato nas urnas em outubro.

 

A empresária Maria do Carmo conta com o apoio dos parlamentares da direita no Amazonas

 

'Algumas tendem a se fundir'

Para o cientista político Raimundo Nonato da Silva, o anúncio de Davi Almeida como candidato do PDT para o governo do estado indica o deslocamento de mais uma "placa tectônica política".

 

"Cada candidatura se apresenta com perspectiva de se colocar no palco da competição. A dele e as dos demais não fogem a regra. A dúvida e a aposta recaem se serão protagonistas principais ou não, isso irá depender dos interesses a serem colocados na mesa de negociação com o objetivo de se construir e consolidar alianças para a próxima eleição e/ou para 2030. As pesquisas eleitorais a serem realizadas e as que estão sendo encomendadas pelos partidos servirá para medir o capital político de cada candidatura, e a partir dela redefinir e consolidar as alianças políticas. Em relação as candidaturas pré-lançadas, somente um foi eleito governo, os demais buscam na arena política consolidar seus nomes para governador. Essa dinâmica demarca um novo cenário na política amazonense iniciada com o atual governo. Figuras políticas que há décadas ditavam os nomes e sobre eles mantinham-se no poder deixaram vácuo que foram e estão sendo preenchidas por outros autores políticos. Esses autores, no entanto, não se consolidaram enquanto grupo. Eis ai a razão para o lançamento dessas candidaturas. Das pré-candidaturas lançadas somente uma, a do Senador Omar Aziz, está consolidada. Algumas candidaturas tenderão a se fundir visando se consolidar como força política e outras, por sua vez, buscarão ampliar a imagem política, com o propósito de avaliar as suas possibilidades no futuro. Cada eleição é um cenário que se projeta para o futuro, a próxima Eleição".

 

(Foto: Divulgação/Redes sociais)

Fonte: Lucas dos Santos/acritica.com

 

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