Projetado por Severiano Porto, imóvel inaugurado em 1979 era referência da arquitetura amazônica e integra patrimônio histórico do Amazonas
Destruído por um incêndio nesta quinta-feira (3), o antigo prédio do Banco da Amazônia (Basa) estava entre os imóveis históricos a serem revitalizados pelo programa “Nosso Centro”, da Prefeitura de Manaus. Localizado na Avenida 7 de Setembro, o prédio, de autoria dos arquitetos Severiano Mário Porto e Mário Emílio Ribeiro, seria transformado em um novo centro cultural e escola gastronômica, que levaria o nome daquele que ficou conhecido como o “arquiteto da floresta”.
Lançado em 2021, o programa Nosso Centro traz a proposta de transformar áreas históricas da capital com projetos de requalificação de espaços públicos, valorização do patrimônio cultural e incentivo ao desenvolvimento econômico e turístico. Segundo a Prefeitura, já foram mais de R$ 70 milhões do Tesouro Municipal investidos na reabilitação dos espaços.
O antigo prédio do Basa estava previsto para a segunda etapa do programa. Em 2024, a Prefeitura assinou um acordo de comodato, via Instituição Basa, para a construção do Museu da Gastronomia Amazônica, Espaço Severiano e Escola, com cessão do imóvel pelos próximos 15 anos e opção de compra. A proposta era recuperar a arquitetura original do prédio e homenagear a obra de Severiano, o arquiteto da floresta.
Arquiteto mineiro radicado em Manaus, Severiano Porto foi responsável por obras memoráveis na capital amazonense, como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o Campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Centro Integrado Clube do Trabalhador do Serviço Social da Indústria (Sesi), entre outros imóveis.
Severiano ficou reconhecido por obras que uniam técnicas tradicionais e materiais da região à modernidade do concreto e do aço. O uso de madeiras amazônicas, grandes áreas abertas, treliças e soluções para favorecer a ventilação natural eram algumas das características de seus projetos.
No antigo Basa, essa relação com a região aparecia nos grandes troncos de madeira usados nas entradas, nas treliças da fachada e na combinação desses elementos com a estrutura de concreto e vidro. Inaugurado em 1979, o prédio se tornou uma referência da arquitetura moderna produzida na Amazônia.
O imóvel também fazia parte das 29 obras de Severiano Porto protegidas pela legislação estadual por seu valor histórico, cultural e arquitetônico.
O incêndio desta quinta-feira atingiu um prédio que, além de fazer parte da história arquitetônica de Manaus, aguardava uma nova função dentro do projeto de revitalização do Centro Histórico.
Histórico edifício foi atingido por incêndio nesta quinta-feira
(Foto: Junio Matos)
Fonte: Amariles Gama/acritica.com